quarta-feira, 8 de abril de 2009

Autobiografia

Criança com um mundo próprio. Isolado de Tudo, o mundo para mim resumia-se a meus pais, irmãs e muitas brincadeiras.Minha irmã Tininha, a mais velha, com diferença de dois anos da minha irmã do meio, a Sónia e eu um felizardo, o mais novo. Diferenças muito curtas que me permitia ter brincadeiras todo o dia.A Tininha adorava fazer caminhos e garagens em barro, para os meus carrinhos, a Sónia preferia o faz de conta com os bonecos. Para mim um delírio, até que uma de elas se nega-se a uma brincadeira. Ficava furioso, com o orgulho ferido, fugia para longe e chorava. Só a minha mãe fazia-me acalmar e juntar-me de novo as minhas irmãs. Era sempre assim, ou a minha mãe vinha ter comigo, ou eu ia ter com ela.Meu pai chateava-se bastante, estando ele presente, eu recorria sempre à minha mãe.Dado eu viver isolado e conviver apenas com a minha família, a minha mãe, uma semana antes de começar a escola, começou a preparar-me psicologicamente, dizendo-me que agora seria diferente, iria conhecer novos amigos e as brincadeiras já não seriam frequentes, por causa do estudo.Chegou o dia. A minha mãe acompanhou-me até à escola primária de Aldeia Nova, onde iniciaria uma nova etapa.Eu, muito tímido e envergonhado, por ver tantos meninos desconhecidos, não largava o braço da minha mãe e chorava, não queria entrar na escola. Aproximou-se uma amiga da minha mãe e “com cara de poucos amigos”, agarrou-me numa orelha e colocou-me dentro da escola, como se de uma boa acção para com a minha mãe se tratasse. Com tal susto, não chorei mais. Até hoje, fiquei com esta imagem gravada na memória.Não comecei os estudos com as melhores impressões, mas logo fiz bons amigos e tudo correu naturalmente.Perfazendo o ensino primário, tive a sorte de continuar com os meus melhores amigos nas minhas turmas do ciclo preparatório e secundário, até ao 9ºano.Na altura em que frequentava o 7ºano, nas ferias escolares, comecei a colaborar num pequeno bar de praia, o que durou dez épocas balneares. Esta ocupação deu-me a oportunidade de conhecer e relacionar com varias pessoas diferentes, da primeira experiência de trabalho e responsabilidade, ganhar alguns conhecimentos de hotelaria e claro, ganhar algum dinheiro. Este último factor, foi o mais marcante, em relação à opção de deixar os estudos para começar a minha vida laboral.Os meus pais sempre tentaram contrariar a minha ideia de abandonar os estudos, explicando-me que sem estudos, não conseguiria arranjar um emprego bem remunerado e que teria de fazer face ao aumento das despesas.Consegui concluir o 9º ano. Nesta altura, propuseram-me trabalhar numa empresa de mobiliário, á qual não resisti.Iniciei funções, logo após o termo do ano lectivo, como ajudante de montagens. Aprendi muito com o meu colega, na montagem de roupeiros por medida, cozinhas, construção e montagem em oficina, etc.No primeiro ano de empresa, ascendi a carpinteiro de 1ª, iniciando-me a só nas montagens, onde permaneci durante cinco anos.A empresa compreende-se em, oficina de carpintaria, armazém de stock, salão de exposição e duas lojas.Recebi a proposta para fiel de armazém, onde deixaria as montagens e começaria a fazer gestão de stocks, atendimento ao público, montagens personalizadas no cliente, reparação de mobiliário, tendo a cargo um ajudante. Efectuei estas funções durante quatro anos.Um dia em conversa com um amigo, soube de uma vaga, na empresa onde trabalhava. Explicou-me que se tratava de uma empresa de Segurança Privada e todos os seus serviços. Aliciou-me bastante. Começava a ter problemas de coluna, devido ao esforço de transportar o mobiliário e o vencimento na Segurança Privada, igualava-se.Efectuei então o curso de aptidão, ficando apto.Iniciei serviço em 2003, escalado para o Centro de Saúde de Vila Real de Santo António.Durante os primeiros quatro meses, arrependi-me bastante, dado a responsabilidade e o stress constantes. Aqui era-me exigido uma enorme gestão de sentimentos, saber dar prioridade ás situações mais grave e suportar o desespero dos utentes.Depois de muitas petições á minha chefia, comecei a efectuar serviço no Praial (Investimentos Turísticos da Praia Verde), onde o serviço era mais calmo. Consistia em rondas pela urbanização e controlo de alarmes e moradias.Mais tarde, comecei a fazer serviços em simultâneo, no Praial, Parque Natural da Ria Formosa, onde efectuava a recepção de clientes para visitas ao parque, Casino de Monte Gordo, onde o serviço consiste em controlo de entradas de funcionários, fornecedores e visitantes, verificação de sacos e embalagens e comando da Central de Incêndios.Até esta altura, encontrava-me satisfeito com o meu serviço, apesar do vencimento ser baixo, dava para gerir minimamente a minha vida, também pela minha situação de solteiro e sem encargos. Nunca tinha feito grandes projectos e não tinha ambições.Ao conhecer Célia, minha esposa, a minha forma de pensar mudou radicalmente. Já com algumas lições de vida, mulher de responsabilidades, com uma filha de anterior casamento, fez-me pensar na necessidade de melhorar as nossas vidas. Começamos conjuntamente a fazer projectos de futuro, conscientes que os nossos vencimentos não nos podiam dar muitas garantias, limitando-nos os projectos.Comecei então uma busca exaustiva a classificados de jornais, Internet, Centros de Emprego, apercebendo-me que, qualquer emprego com alguma qualidade, exigia mais do que o 9ºano de escolaridade.Sentindo-me perfeitamente capacitado para assumir algumas das ofertas de emprego anunciadas, as habilitações não eram suficientes.A minha esposa já tinha completado o 9ºano no projecto RVCC em Tavira e soube da abertura de inscrições para obter o 12ºano em Vila Real de Santo António, do mesmo projecto.Não hesitamos. Inscrevemo-nos os dois, na esperança de melhorar as nossas vidas.Tendo a noção da dificuldade que é encontrar empregos, será esta, mais um ponto a nosso favor para acrescentar ao nosso curriculum.

2 comentários:

  1. Tenho o prazer de ser o primeiro a comentar o seu blogue! Fico a conhecê-lo um bocadinho melhor depois de ler a Autobiografia. Parabéns pela vontade de ser cada vez melhor. Boa sorte para o blog. Felicidades familiares, para a família que já existe e para... o futuro!

    José Sarmento

    Saúde.

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  2. Esta autobiografia não me é estranha, parece que o conheço de algum sitio, não estou é a ver de onde?
    Beijinhos

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