
Actualmente vive-se uma instabilidade enorme em termos profissionais. Todos os dias recebemos informações de empresas a encerrar ou em lay-off.
Os trabalhos cada vez mais precários, não dão segurança as famílias, vivendo-se um clima de receios constantes. Por todos estes motivos é essencial estar preparado o melhor possível para fazer frente a esta problemática.
Decidi abandonar os estudos em 1994, com apenas o 9º ano de escolaridade concluído, com o objectivo de entrar no mundo laboral, projectando mais tarde completar os estudos até ao 12º ano.
O tempo foi passando e tarde me apercebi da oportunidade que tinha perdido, com o termo das Unidades Capitalizáveis.
Ciente da necessidade de completar o 12º ano, não o conseguia concretizar dados os meus horários profissionais.
Acompanhei a minha esposa a concluir o 9º ano de escolaridade, em Faro, no Processo RVCC das Novas Oportunidades. Na altura, comentei com ela como seria bom a abertura do mesmo processo para o 12º ano, em Vila Real de Santo António. Sorte a nossa. Passado algum tempo realizou-se o que pretendíamos. Não perdemos tempo e inscrevemo-nos os dois.
Sem qualquer ideia de como seria este processo e com muitas dúvidas, apresentamo-nos na 1ª reunião das Novas Oportunidades.
Inicialmente, confesso que me pareceu muito complexo e exigente. Após muitas explicações e um forte incentivo da nossa Formadora, Sr.ª Dª Clara Matos, as ideias em relação ao processo foram-se clareando e fui desenvolvendo o trabalho.
Consoante o desenvolvimento do trabalho, ia tendo mais motivação e esperança de concluir este desafio.
Durante as minhas horas laborais, ia analisando o referencial, tirando notas e realizando textos. Engraçado que, nestes momentos foram muitas as situações que expliquei aos funcionários de onde presto serviço, o porque de tantas folhas manuscritas espalhadas pela secretaria. Com alguma ironia, alguns funcionários perguntavam se estava a escrever um livro.
Expliquei e aconselhei alguns funcionários a inscreverem-se no RVCC, dado todos eles terem bastante tempo disponível.
Dois funcionários e um colega meu, interessados em concluir o 12º ano, questionam-me frequentemente e pedem-me conselhos.
O meu principal conselho para quem vai para o RVCC é para desenvolverem ao máximo as suas autobiografias, a fim de terem o máximo de matéria para explorar durante a procura de competências.
Para realizar o trabalho, passei por um bom treino intelectual. Foi essencial pensar e relembrar o passado, as minhas vivencias de criança, as vivencias escolares e profissionais, o que foi muito agradável. Extrai vários valores da minha vivencia que estavam camuflados.
Quanto mais trabalho desenvolvia, mais incentivado ficava e com vontade de continuar.
No decorrer dos trabalhos, fui-me apercebendo das minhas competências adquiridas nas diversas áreas. Se não fosse a realização do mesmo, certamente nunca iria reflectir sobre elas e sem ter conhecimento que as tinha.
"Isto é o que é aprender: você repentinamente compreende algo que você soube durante toda a sua vida, mas de um modo novo.”·(Doris Lessing)
Agora que completo as competências requeridas no referencial, sinto que estou mais perto do objectivo de concluir o 12º ano e com ele, o aumento da minha auto-estima e confiança no futuro. Sinto que aumentei o meu potencial de empregabilidade, com capacidade para desempenhar funções de maior responsabilidade.
