quarta-feira, 8 de abril de 2009

Tenho Medo!...


Agora não posso entrar em desespero! Não é o fim do mundo! Ou melhor, será o fim do mundo que eu conhecia. O meu mundo agora é outro, porque terei mais um outro de quem serei responsável. Vou aguentar! Vou adorar! Serei adorado e ficarei com certeza babado.Leio bastante sobre o assunto da gestação e nascimento. Não posso descorar carinho e atenção à minha presenteadora. Sei que nesta fase ficará carente, ou melhor, mais carente e não quero de forma alguma ser responsável por traumas ou desordens psicológicas dela e da minha cria.Estou animado! Mando a “minha gravidez” para cima dos meus amigos e conhecidos.Não quero entrar em paranóias na hora do parto. Quero assistir! Sei que a minha presença será importante para a segurança emocional dela, que estará sob altíssima pressão.Serei com certeza exigente com aquela bicharada de médicos, enfermeiros e auxiliares.Acontecem negligências incríveis nas maternidades, que meu filho não será vítima.Estarei presente, discreto, mas muito atento!Após o milagre, não deixarei de agradecer e elogiar os bons serviços. Sorrisos largos levaram.Como não, haverá distribuição gratuita de pêra da época!Será esta cria e sua mãe a ensinarem-me mais um caminho.Quero sorrir ao mundo com alegria e esperança no olhar! Quero acreditar no futuro!....Mas tenho tanto medo! Medo do que virá! Medo do que lhe espera!...

Descriminação e Preconceitos


“ O preto é igual ao branco, o pobre não é menos que o rico, ou o doente não pode ser descriminado e sim acarinhado.” Não é esta a realidade! São frases correctas, mas que muitos não o sentem realmente, dizem-no porque “fica bem”.
Tenho momentos que dou por mim a interiorizar e imaginar-me na vida de outras pessoas, a fim de tentar perceber os seus sentimentos, sofrimentos e frustrações.
Como é cruel para algumas pessoas que além de a vida não lhes ter corrido bem, por problemas vários, ainda terem de passar por situações de exclusão da sociedade como de bichos se tratasse. É um problema muito grave e que deveria ser um assunto insistentemente discutido pelos governantes. É um problema que deveria tocar realmente na moral dos cidadãos, não só na época Natalícia, como é habitual, mas todos os dias do ano.
Será correcto passarmos na rua com o nosso filho e dizermos: “Vês filho é um mendigo, pobrezinho, coitadinho”. Ajudará isto em algo o “coitadinho”? Muitos, nem um simples bom dia ou boa tarde tem direito! Seria correcto parar e explicar ao nosso filho que a vida não são apenas sonhos e ilusões, o que vê é uma realidade e que não pode acontecer!
A senhora, quando olhar para a primeira montra, apaga da memória o sentimento solidário e esquece o problema. Para o seu filho (futura sociedade), o mendigo apenas existe, “coitadinho”.

O povo está cego!

A velha máxima de “Quanto mais me bates mais gosto de ti” é pura e dura!
Todos nós sabemos e sofremos as consequências da crise mundial. Isto não desculpabiliza de forma alguma o governo actual. Pelo contrário, são políticas como o nosso governo pratica que tem vindo a afundar a economia mundial.
Este governo pretende investir o que não tem, em projectos monstruosos como, TGV, Aeroportos, etc., só com o fim de mostrar obra feita (fui eu que fiz), sem a preocupação do endividamento.
É com certeza necessário o investimento público para o desenvolvimento do Pais, mas agora?
Numa fase tão crítica para a comunidade, creio que há preocupações muito mais prioritárias!

Autobiografia

Criança com um mundo próprio. Isolado de Tudo, o mundo para mim resumia-se a meus pais, irmãs e muitas brincadeiras.Minha irmã Tininha, a mais velha, com diferença de dois anos da minha irmã do meio, a Sónia e eu um felizardo, o mais novo. Diferenças muito curtas que me permitia ter brincadeiras todo o dia.A Tininha adorava fazer caminhos e garagens em barro, para os meus carrinhos, a Sónia preferia o faz de conta com os bonecos. Para mim um delírio, até que uma de elas se nega-se a uma brincadeira. Ficava furioso, com o orgulho ferido, fugia para longe e chorava. Só a minha mãe fazia-me acalmar e juntar-me de novo as minhas irmãs. Era sempre assim, ou a minha mãe vinha ter comigo, ou eu ia ter com ela.Meu pai chateava-se bastante, estando ele presente, eu recorria sempre à minha mãe.Dado eu viver isolado e conviver apenas com a minha família, a minha mãe, uma semana antes de começar a escola, começou a preparar-me psicologicamente, dizendo-me que agora seria diferente, iria conhecer novos amigos e as brincadeiras já não seriam frequentes, por causa do estudo.Chegou o dia. A minha mãe acompanhou-me até à escola primária de Aldeia Nova, onde iniciaria uma nova etapa.Eu, muito tímido e envergonhado, por ver tantos meninos desconhecidos, não largava o braço da minha mãe e chorava, não queria entrar na escola. Aproximou-se uma amiga da minha mãe e “com cara de poucos amigos”, agarrou-me numa orelha e colocou-me dentro da escola, como se de uma boa acção para com a minha mãe se tratasse. Com tal susto, não chorei mais. Até hoje, fiquei com esta imagem gravada na memória.Não comecei os estudos com as melhores impressões, mas logo fiz bons amigos e tudo correu naturalmente.Perfazendo o ensino primário, tive a sorte de continuar com os meus melhores amigos nas minhas turmas do ciclo preparatório e secundário, até ao 9ºano.Na altura em que frequentava o 7ºano, nas ferias escolares, comecei a colaborar num pequeno bar de praia, o que durou dez épocas balneares. Esta ocupação deu-me a oportunidade de conhecer e relacionar com varias pessoas diferentes, da primeira experiência de trabalho e responsabilidade, ganhar alguns conhecimentos de hotelaria e claro, ganhar algum dinheiro. Este último factor, foi o mais marcante, em relação à opção de deixar os estudos para começar a minha vida laboral.Os meus pais sempre tentaram contrariar a minha ideia de abandonar os estudos, explicando-me que sem estudos, não conseguiria arranjar um emprego bem remunerado e que teria de fazer face ao aumento das despesas.Consegui concluir o 9º ano. Nesta altura, propuseram-me trabalhar numa empresa de mobiliário, á qual não resisti.Iniciei funções, logo após o termo do ano lectivo, como ajudante de montagens. Aprendi muito com o meu colega, na montagem de roupeiros por medida, cozinhas, construção e montagem em oficina, etc.No primeiro ano de empresa, ascendi a carpinteiro de 1ª, iniciando-me a só nas montagens, onde permaneci durante cinco anos.A empresa compreende-se em, oficina de carpintaria, armazém de stock, salão de exposição e duas lojas.Recebi a proposta para fiel de armazém, onde deixaria as montagens e começaria a fazer gestão de stocks, atendimento ao público, montagens personalizadas no cliente, reparação de mobiliário, tendo a cargo um ajudante. Efectuei estas funções durante quatro anos.Um dia em conversa com um amigo, soube de uma vaga, na empresa onde trabalhava. Explicou-me que se tratava de uma empresa de Segurança Privada e todos os seus serviços. Aliciou-me bastante. Começava a ter problemas de coluna, devido ao esforço de transportar o mobiliário e o vencimento na Segurança Privada, igualava-se.Efectuei então o curso de aptidão, ficando apto.Iniciei serviço em 2003, escalado para o Centro de Saúde de Vila Real de Santo António.Durante os primeiros quatro meses, arrependi-me bastante, dado a responsabilidade e o stress constantes. Aqui era-me exigido uma enorme gestão de sentimentos, saber dar prioridade ás situações mais grave e suportar o desespero dos utentes.Depois de muitas petições á minha chefia, comecei a efectuar serviço no Praial (Investimentos Turísticos da Praia Verde), onde o serviço era mais calmo. Consistia em rondas pela urbanização e controlo de alarmes e moradias.Mais tarde, comecei a fazer serviços em simultâneo, no Praial, Parque Natural da Ria Formosa, onde efectuava a recepção de clientes para visitas ao parque, Casino de Monte Gordo, onde o serviço consiste em controlo de entradas de funcionários, fornecedores e visitantes, verificação de sacos e embalagens e comando da Central de Incêndios.Até esta altura, encontrava-me satisfeito com o meu serviço, apesar do vencimento ser baixo, dava para gerir minimamente a minha vida, também pela minha situação de solteiro e sem encargos. Nunca tinha feito grandes projectos e não tinha ambições.Ao conhecer Célia, minha esposa, a minha forma de pensar mudou radicalmente. Já com algumas lições de vida, mulher de responsabilidades, com uma filha de anterior casamento, fez-me pensar na necessidade de melhorar as nossas vidas. Começamos conjuntamente a fazer projectos de futuro, conscientes que os nossos vencimentos não nos podiam dar muitas garantias, limitando-nos os projectos.Comecei então uma busca exaustiva a classificados de jornais, Internet, Centros de Emprego, apercebendo-me que, qualquer emprego com alguma qualidade, exigia mais do que o 9ºano de escolaridade.Sentindo-me perfeitamente capacitado para assumir algumas das ofertas de emprego anunciadas, as habilitações não eram suficientes.A minha esposa já tinha completado o 9ºano no projecto RVCC em Tavira e soube da abertura de inscrições para obter o 12ºano em Vila Real de Santo António, do mesmo projecto.Não hesitamos. Inscrevemo-nos os dois, na esperança de melhorar as nossas vidas.Tendo a noção da dificuldade que é encontrar empregos, será esta, mais um ponto a nosso favor para acrescentar ao nosso curriculum.